Jacto

     Nos últimos anos, as doenças têm se tornado uma grande preocupação por parte de técnicos e produtores envolvidos no agronegócio do milho. Perdas na produtividade devido ao ataque de patógenos são frequentes nas principais regiões produtoras do país.


     A mancha branca, também denominada de pinta branca, é uma mancha foliar do milho causada pelo fungo Phaeosphaeria
maydis, ocorrendo no Brasil de forma generalizada há muitos anos, estando presente em praticamente todas as regiões de plantio. É ainda relatada na Índia, em alguns países da África e das Américas. Embora antiga no Brasil, ocorria apenas no final do ciclo das plantas e só pôde ser observada em plantas mais jovens, acarretando redução da produtividade da cultura, a partir do final da década de 80.

     Atualmente, as perdas na produção ocasionadas pela doença podem ser superiores a 60% em situações de ambiente
favorável e de uso de cultivares suscetíveis. A mancha branca é favorecida por temperaturas amenas (cerca de 15 a 20°C), elevada umidade relativa do ar (mais de 60%) e elevada precipitação. Os plantios tardios propiciam uma maior severidade da doença devido à ocorrência dessas condições climáticas durante o florescimento, quando as plantas são mais sensíveis ao ataque do patógeno.

     Os sintomas da mancha foliar de Phaeosphaeria maydis do milho são, inicialmente: pequenas áreas de coloração verde clara ou cloróticas, as quais crescem e passam a ser esbranquiçada, com aspecto seco e bordos escuros. Essas manchas
apresentam formato arredondado a oblongo, com o diâmetro variando de 0,3 a 2 centímetros. Geralmente, são encontradas
dispersas sobre a superfície do limbo foliar, mas iniciam-se na ponta da folha progredindo para a base, podendo coalescer

     Em geral, os sintomas aparecem inicialmente nas folhas inferiores, progredindo rapidamente para as superiores, sendo mais severos após o pendoamento, podendo ser observados também na palha da espiga. A disseminação do patógeno ocorre pelo vento e por respingos de chuva. 

     A principal medida recomendada para o manejo da mancha branca é o uso de cultivares resistentes. Outra medida adotada é a escolha da época de plantio: deve-se optar por épocas de semeadura cujas condições climáticas que favoreçam a doença não coincidam com a fase de florescimento da cultura. Nas regiões Sudeste e Centro-Oeste, por exemplo, os plantios tardios realizados a partir da segunda quinzena de novembro até o final de dezembro favorecem a ocorrência
da doença em elevadas severidades. Portanto, recomenda-se antecipar a época do plantio, sempre que possível, para a segunda quinzena de outubro ou o início de novembro. O controle químico para o tratamento da cultura suscetível é uma medida viável, porém deve ser realizada conforme orientação técnica registrados para a cultura.

     Por todo o exposto, fica claro que essas medidas além de trazerem benefício ao produtor, contribuem para uma maior
durabilidade das cultivares, por reduzirem a possibilidade de disseminação do patógeno. A mais atrativa estratégia de manejo
da doença é a utilização de cultivares geneticamente resistentes, já que seu uso não exige nenhum custo adicional ao produtor, não causa impactos negativos ao meio ambiente e é, muitas vezes, suficiente para o controle da doença.

Artigo publicado na edição de junho/16

Gabriella L. A. de Sousa
Universidade Federal de Lavras – 3rlab


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